quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Discurso

Discurso



» Discurso de Posse da Doutora
Matilde Slaibi Conti na
Academia Niteroiense de Letras




Casa da Amizade (Niterói, RJ) – 14 de março de 2007









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Exmo. Sr. Presidente da Academia Niteroiense de Letras
Dr. Jorge Fernando Loretti
Exmas. Autoridades da Mesa
Minhas Senhoras
Meus Senhores
Meus familiares


Desejamos distinguir entre os
presentes, meu marido, José França Conti, com quem completamos 42 anos
de casados. Lembramos de Dorival Caymmi e de seus versos na música
Andança:



Vagando em versos eu vim,
vestida de cetim,
o meu amado é rei,
e nas lendas do caminho;
me leva amor,
por onde for
quero ser seu par.
Me leva amor.


Senhores acadêmicos


Com muita honra e alegria, estamos
aqui, entre tantas pessoas de grande merecimento e elevado valor. Quero
referir-me em especial, ao nosso presidente Jorge Loretti grande
jurista, notável desembargador, homem público de rara coragem.


No Tribunal de Justiça do Estado do
Rio de Janeiro, continuou a ser combativo, autêntico, sincero, fiel a
seus ideais. Como professor e acadêmico, destaca-se por sua natural
cordialidade, que aproxima as pessoas de seu convívio, sendo conhecida
sua solidariedade humana que desconsidera os riscos, para servir ao
próximo.


Jorge Loretti, homem admirável!


Sabemos que o agradecimento é a
memória do coração. E o meu coração se volta neste instante para um
outro presidente, que tão recentemente nos deixou: Jorge Picanço
Siqueira, a quem devemos a honra de ter sido nosso paraninfo, neste
ingresso na Academia Niteroiense de Letras, fundada em 11 de junho de
1943, segundo ata lavrada por Francisco Pimentel.


Jorge Picanço era médico pediatra,
pintor talentoso, memorialista incansável, sábio e simples. De uma
linhagem completa, foi fiel aos seus ancestrais.


Por tudo aquilo que foi e o que fez em prol da humanidade, rendemos nossas homenagens.


Minhas senhoras


Meus senhores


Honra-nos sobre maneira, ter a
Acadêmica Franci Machado Darigo, como aquela que nos abre a porta desta
Academia, sendo contudo muito generosa com suas palavras. Meus
agradecimentos a Franci Darigo, escritora e historiadora, pela bondade
da saudação da chegada. A cidade de Campos dos Goytacazes, se orgulha
de tê-la entre as suas filhas mais ilustres, honrando as tradições
intelectuais campistas.


Seu gosto e preferência
historiográfica, ao lado do trabalho contínuo de pesquisa em arquivos e
publicações de documentos é tarefa importante e indispensável.


Nas palavras da confreira Márcia Pessanha:





Franci, que também é poetisa,
traz, no sangue e na alma a coragem e a verve poética de ilustres
campistas, dando continuidade a saga das mulheres que deixam suas
marcas salpicadas na aquarela do tempo em construção.


No Velho Testamento de provável
autoria de Salomão, antigo rei de Israel que viveu no século X a.C. ,
há uma passagem ensinando: “tudo tem seu tempo, há um momento
oportuno para cada empreendimento debaixo do Céu. Há um tempo de calar,
há um tempo de falar.”


Hoje é tempo de falar.


Falo da minha mineirice, das
montanhas de Minas Gerais, da cidade de Visconde do Rio Branco, a
antiga Princesinha dos Canaviais, a minha terra natal.


As recordações existem no tempo e
ficam guardadas em nossa memória. De vez em quando elas retornam, seja
uma música, odores ou momentos bem vividos.


A memória revive e reconstrói, torna
as coisas contemporâneas, mas o faz reconstituindo a distância e a
profundidade do passado. Tudo fica retido como uma marca de um tempo
que se foi.


Recordo de meu pai, Nagib Slaibi,
brasileiro por opção, aqui chegou menino ainda. Veio do Líbano, país
nascido dos fenícios, foi berço do alfabeto, introduziu o uso da moeda,
tendo riquíssima literatura.


Meu pai, em sua terra natal freqüentou a então famosa Escola da Sabedoria, sendo contemporâneo de Kalil Gibran. Kalil, autor de O Profeta .
Possuía espírito empreendedor e tenaz. Era comerciante, fazendeiro e
químico industrial, sendo que em sua fazenda implantou uma escola para
os filhos dos empregados. Hábil mediador de conflitos, tornou-se o
primeiro presidente da Associação Comercial de Visconde do Rio Branco.


Meu irmão e eu colhemos a fortuna de inúmeras vezes contemplar seu rosto sereno, cheio de amor e sabedoria.


Hoje, empresta seu nome a uma
importante rua, sendo também oportuno registrar que o Instituto
Histórico e Geográfico de Visconde do Rio Branco, denominou sua sala de
reuniões, Sala Nagib Slaibi.


Reminiscência é sempre um sentimento
de gratidão. Na mesma esteira recordo minha mãe, que no longínquo ano
de 1928 colou grau como professora, no Colégio Nossa Senhora
Auxiliadora, das irmãs Salesianas, na cidade de Ponte Nova, Minas
Gerais.


Faço minha as palavras de Hilda da Silva, em Réquiem:


Sobre ela a saudade sem fim.


O amor dos filhos, a ternura dos netos,


O passar do tempo.


O ciclo das gerações.


Sobre ela, o júbilo dos anjos e dos santos


Sobre ela a face iluminada de Deus!


Um abraço eterno, mãe querida.


Minhas senhoras


Meus senhores


Ingresso nesta Casa de Cultura com
muito orgulho. Mas é inconteste que a honra da escolha e o profundo
contentamento pela convivência que se inicia em caráter permanente, não
nos autoriza de maneira alguma a ceder somente a tentação
autobiográfica.


Importa assinalar que é reconfortante
para nós, sabermos que estamos ocupando a cadeira que na fundação desta
Casa coube a um partidário da educação, por sermos também da área do
magistério.


Na leitura deste discurso, altas
horas das noites que se iam, lamentávamos senhores acadêmicos, não
dispor da prerrogativa concedida pela Academia Brasileira de Letras, ao
Barão do Rio Branco, de tomar posse, mediante simples carta.


Contudo, submeto-me as normas da Casa, espero que com brevidade, tornando menos monótona, essa parte da cerimônia.


Aproveitamos este momento solene para
patentear que temos um pacto de amor perene com Niterói, terra da
figura emblemática de Araribóia, o bravo índio guerreiro que capitaneou
a expulsão dos invasores franceses, visto ter sido esta cidade, o palco
de toda nossa vida adulta e o lugar do nascimento dos meus três filhos:
Carlos Eduardo, Ricardo Augusto e Rodrigo Otávio.


Também queremos destacar que receber
o título de Acadêmica, desta nobre Academia Niteroiense de Letras, é
uma significativa honraria e que sobreveio do julgamento isento dos
nossos ilustres confrades e confreiras.


Nunca é demais recordar que fui
seduzida pelas letras ainda criança, fazendo a leitura diária de vários
jornais e outras publicações, das quais meu pai era assinante. Na
adolescência apaixonei-me pela Filosofia e pela História, imaginando aí
estar o meu destino, que brotava do convívio da menina, com meu tio,
professor de História, Dr. Fuád Rachid causídico brilhante, apaixonado
pela expressão literária de um modo geral.


Hoje, Fuád Rachid é patronímico da Academia Riobranquense de Letras, cadeira hoje ocupada pelo meu irmão, Nagib Slaibi Filho.


Minhas senhoras


Meus senhores


Quem nasce em Minas Gerais, pelo
berço e pela geografia, aprimora a solidão e a nostalgia. Por outro
lado, importa assinalar que nunca estive realmente só, pois os livros
sempre foram meus fiéis companheiros, trazendo magia e encantamento.


D. Eugênio Sales leciona que: “o passado fala ao presente e ao futuro eterno”.


Sabemos que não trabalhamos em vão e é muito em função disso tudo, que agora, nos acolhe aqui.


Senhores Acadêmicos


Cumprirei agora com meu dever de novo
membro desta nobre Casa de Cultura: fazer o elogio de meus antecessores
e no meu patrono. Falarei sobre três personalidades pertencentes à
Cadeira nº 43, para a qual fui eleita.


A oratória, a política, o jornalismo, a educação, a administração e a poesia, por esta Cadeira, passaram numa sucessão ilustre.


Em primeiro lugar, explicitarei sobre o meu patrono, Ismael de Lima Coutinho.


Nasceu em 12 de maio de 1900, em
Santo Antonio de Pádua, município fluminense. Eram seus pais José
Coutinho de Carvalho e Amélia Mascarenhas de Lima Coutinho. Seu pai era
um modesto comerciante de secos e molhados, mais tarde dono de padaria.


Ismael Coutinho, ainda muito jovem, passou a dedicar-se ao estudo de vários idiomas, notadamente o latim e o grego.


Salientamos que foi grande humanista, filólogo e educador.


Wanderlino Teixeira Leite Netto relata em seu livro A Dança das Cadeiras.


Conhecedor dos modelos literários
como poucos e da língua portuguesa como raros; dedicou sua vida à
defesa do idioma pátrio. Foi alfabetizado por Lourença Guimarães,
grande educadora do norte fluminense.


Jovem, iniciou o seu magistério no
Colégio Sylvio Leite, no Rio de Janeiro, em seguida no Colégio de Pádua
e no Liceu de Humanidades em Campos dos Goytacazes.


Mais tarde, no Liceu Nilo Peçanha, em
Niterói, ocupou a Cátedra de Português/Literatura. Durante muitos anos
lecionou Português, Latim e Grego nos Colégios Brasil e Bitencourt
Silva.


Era bacharel em Direito.


Vale a pena rememorar também, que com
um grupo de educadores, fundou em Niterói, o Instituto de Humanidades,
mais tarde denominado Colégio José Clemente e posteriormente Instituto
Gay Lussac. Participou de inúmeras bancas examinadoras de concursos
para provimentos de cátedras.


Em 1947, juntamente com Durval
Batista Pereira, que veio a ser reitor da Universidade Federal
Fluminense, fundou a Faculdade Fluminense de Filosofia.


Foi seu primeiro diretor, ali
lecionando por 18 anos consecutivos Língua e Literatura Latina. Exerceu
funções político-administrativas e técnicas, tais como: secretário de
Educação e Cultura do Estado do Rio de Janeiro, membro da Comissão do
Livro Didático do Ministério da Educação e Presidente do Conselho
Estadual de Educação.


Administrador probo e diligente, muito trabalhou para o desenvolvimento da cultura.


Firmou-se como um dos maiores filólogos brasileiros.


Renato de Lacerda, o poeta que Rio Bonito deu ao Brasil, num soneto, assim descreve Ismael Coutinho:


Simpático, corpulento, corado de pele fina e boca bem pequena é professor há muito consagrado pela cultura de eloqüência plena.


O idioma pátrio ensina com agrado
esta do Lácio, língua tão amena belezas apontando entusiasmado enquanto
os erros com vigor condena.


Aulas, livros, discursos, conferências tem dado em pedagógicas seqüências no portentoso mundo juvenil.


Assim, com patriotismo trabalhando o nível de instrução vai elevando para a suprema glória do Brasil.


Ismael Coutinho pertenceu a Academia
Fluminense de Letras, Academia Fluminense de Filologia e a Sociedade
Brasileira de Romanistas.


Deixou publicado Pontos da Gramática Histórica, que a partir da 4ª edição passa a ser chamada Gramática Histórica. Constitui
essa gramática, o estudo da língua portuguesa, seu uso e a importância
da correspondência entre o idioma falado no Brasil e no seu país de
doação, isto é, Portugal.


Em 1928 lançou dois livros: O Problema da Crase, e o outro, foi sua tese para a cátedra de Português, do Liceu de Humanidades de Campos.


Em 1954 escreve Os Estudos Gramaticais, que eram sugestões metodológicas para a execução do ensino de Português.


Respostas a um Critico e A Propósito de Minha Gramática Histórica chegam as livrarias em 1955. Prefaciou a Bíblia Medieval Portuguesa cujo autor era Serafim da Silva Neto, como também fez o Prefácio dos livros O Modernismo Brasileiro e A Língua Portuguesa , de Luiz Carlos Lessa .


A Vida amorosa de Horácio e a Desistência do Acusativo Indo Europeu foram lançados em 1964, sendo que o primeiro foi um estudo proferido na Sociedade Brasileira de Romanistas.


Publicou inúmeros artigos em revistas especializadas.


Deixou inédita aquela que seria sua
tese de concurso, na qual vinha trabalhando nos dois últimos anos de
sua vida, para professor titular de Língua e Literatura Latina, na
antiga Faculdade Fluminense de Filosofia.


O dia 24 de julho de 1965 trouxe
grandes tristezas: falece Ismael Coutinho num acidente automobilístico
em São João da Boa Vista, no Estado de São Paulo.


Após sua morte, a Escola Normal de Niterói passou a denominar-se Instituto de Educação Professor Ismael Coutinho.


O patrono da cadeira nº 43 desta
Academia Niteroiense de Letras, foi, segundo o professor Rosalvo do
Vale, um cidadão simples, sábio e bom.


Paulo de Almeida Campos


Foi o primeiro ocupante da cadeira nº 43, tendo marcado com sua inteligência cultura e civismo, a época em que viveu.


Nasceu no dia 4 de janeiro de 1915,
em São Sebastião do Alto, Estado do Rio de Janeiro. Dona Eponina de
Almeida Campos e Célio Campos foram seus pais. Foi casado com D. Maria
Letice Souto Campos, com quem se encantou em um baile na cidade de
Miracema e que lhe deu três filhos: Virgínia, Berenice e Paulo Gustavo.
Viveram todos os encantos de um amor sincero, onde a dignidade, o
carinho e o respeito, abençoaram a vida familiar. Letice, professora de
educação física, foi sua amorável e incansável companheira pelos
caminhos da vida.


Quando de sua posse na Academia
Niteroiense de Letras, veio a relembrar de seu pai e de sua mãe,
oferecendo-lhes, a alegria, o orgulho e o encantamento do momento.
Reviveu os momentos saudosos de sua infância, menino pobre e simples
acompanhando o pai, de fazenda em fazenda, vendendo o produto da
plantação de fumo. Seu pai estava arruinado pela queda do café.


Somente aos nove anos iniciou o
antigo curso primário no Colégio Carlos Cortes em Cordeiro, Estado do
Rio de Janeiro, indo mais tarde para o Colégio Modelo, situado em Nova
Friburgo. Na cidade de Ribeirão Preto, São Paulo, concluiu o Curso
Normal. Em 1939 colou grau de bacharel pela faculdade de Direito de
Niterói. Em 1950, obteve a licenciatura em Pedagogia.


Convém salientar que exerceu o
magistério, mostrando o caminho as suas irmãs Lígia, Zélia, Enóe,
Conceição, Anthea e Teresinha. Embora bacharel em Direito, foi no
magistério que se encontrou e se sentiu plenamente realizado.


A presença dos bons, como Paulo de
Almeida Campos, pessoa dotada de verdadeira grandeza humana, faz-nos um
bem inestimável, na medida em que restabelece em nós a esperança nas
grandes possibilidades de nossa vida finita.


O primeiro ocupante da Cadeira nº 43,
foi professor da Escola de Serviço Social e da Faculdade Fluminense de
Filosofia em Niterói. Foi professor titular e diretor da Faculdade de
Educação da Universidade Federal Fluminense, como também Doutor e
Livre-Docente. Assessor do professor Anísio Teixeira, com quem
trabalhou por nove anos, participando da implantação do sistema
educacional de Brasília. Publicou diversos trabalhos e colaborou nos
jornais Gazeta de Cordeiro, o Nova Friburgo e o Diário de Notícias.
Pertenceu a várias academias e são incontestáveis as suas premiações.


Meus colegas de sodalício


Oportuno é ressaltar o que Emanuel de
Macedo Soares historiador e membro das academias Niteroiense e
Fluminense de Letras, assim escreveu sobre Paulo de Almeida Campos:


O professor altense viveu a vida no
cenário da sala de aula. Correu mundo em busca do aperfeiçoamento.
Deixou em inúmeros cargos públicos por que passou a marca indelével de
seu fazer.


Fazendo aquilo em que acreditava e acreditando naquilo que fazia.


Assim como o professor Helter Barcellos, orador de amplos dotes, no prefácio do livro Tema e Teimas da Educação, fez tecer as seguintes considerações:


Como homem de letras, Paulo de
Almeida Campos tem contado em páginas de inexcedível beleza sua terra e
sua gente. Seus discursos acadêmicos, suas orações de paraninfo e seus
ensaios exibem estilo definido e firme de quem sabe manejar com
destreza os delicados instrumentos da comunicação escrita.


Paulo de Almeida Campos permaneceu entre os vivos até o dia 7 de março de 1991.


Empresta o seu nome a uma rua em Niterói e também a uma escola, no bairro de Icaraí.


Nas palavras de Alaor Scísino foi “cidadão do mundo que residiu por longos anos, na sala de aula.”


Maria José Arueira de Meirelles


Foi a 2ª ocupante da Cadeira nº 43, sendo minha antecessora.


Nasceu em Campos dos Goytacazes , em
25 de novembro de 1920 numa noite de estrelas indormidas mas bafejada
pelo perfume das rosas e ninada em doces acalentos.


Fez seus estudos primários em sua
terra natal e o secundário em Cachoeiro de Itapemirim , Espírito Santo.
Era enfermeira diplomada pela Escola de Enfermagem Anna Nery, com
especialização em Relações Humanas pela Pontifícia Universidade
Católica.


Queremos personificar nossa homenagem
na figura impar de Maria José Arueira, a nossa querida Zezé, como nós a
chamávamos aqui, nesta Casa da Amizade, onde ela também porfiou por
muitos anos, como sócia voluntária, servindo ao próximo. Ela soube dar
de si, sem pensar em si, atuando com assiduidade no braço humanístico
de Rotary Internacional. Por conseguinte sobreleva destacar que tive a
ventura de com ela conviver, sabendo do seu profundo senso poético, da
extensão de sua pureza e a dimensão de sua integridade.


Além de Acadêmica foi também humanista.


O acadêmico Luiz Antonio Pimentel assim se expressou sobre a poesia de Maria José Arueira:


Seus versos são livres como as ondas dos canaviais de sua terra natal, quando bate o nordeste sobre a Planície Goitacá.


(...) É pura inspiração. Sublimação de sentimentos. Decantação das idéias. Magia de ritmos. Malabarismo de palavras.


A corroborar tal entendimento,
sabemos que os primitivos habitantes dessa planície, os valorosos
índios da nação Goitacá, eram altivos e briosos defensores da
liberdade. A história das lutas daquele povo e admirável: nenhum fugiu
ao combate, semearam o exemplo de heroísmo e a boa semente nunca deixa
de germinar.


Seus trabalhos literários foram
publicados no jornal O Fluminense, na Tribuna, em jornais de Macaé ,
Petrópolis e São Gonçalo. Em 1988 publicou o livro de poemas Castelo Interior e em 1997, Cara a Minha Alma.


Era detentora das medalhas Tiradentes e Jubileu de Ouro da Academia Niteroiense de Letras.


Em 1999 foi agraciada com o título de Cidadã Honorária de Niterói.


Maira José Arueira Meirelles, a tão querida Zezé, nos deixou em 05/08/2005.


Senhores Acadêmicos


É com o espírito de ordem, do
trabalho, da harmonia, da conversa aveludada, que atravesso as
respeitáveis soleira da Academia Niteroiense de Letras, não em busca,
da precária imortalidade, mas para usufruir da companhia dos senhores,
sob a égide da inspiração acadêmica.


Nesta longa sucessão de feitos que
formaram a tradição e o prestígio da Cadeira que agora venho assumir,
uma importante lição é extraída dos numerosos exemplos que acabei de
lembrar.


Esta é uma cadeira do ensino, da
educação, da literatura, exigindo da nova acadêmica, uma sintonia
espiritual com sues antecessores, com aqueles que nos dados jogados
pelo destino vieram a ocupar a mesma poltrona.


Acredito que no postular meu ingresso
nesta Casa de Cultura e ao merecer a consagradora aprovação ficou
marcada essa significativa honraria que sobreveio do julgamento isento
dos nossos ilustres confrades, o que é para esta protagonista das
Ciências Jurídicas, momento deveras gratificante.


Aproveitamos este momento solene para patentear o pacto de amor perene com os amigos aqui presente e com meus familiares.


Quero tê-los comigo por muitos anos na alegria da vida, na festa do amor.


Agradeço aos amigos acadêmicos Waldemir de Bragança e José Guasti a gentileza de introduzir-me neste consagrado salão nobre.


Deus que me trouxe até aqui, sabendo
que continuo fiel a minha simplicidade e as minhas origens, há de
continuar a iluminar-me os passos.


Termino a milha fala, deixando
registrado em meu discurso, o nome dos meus netos que são produtos de
um longo entrelaceamento de amores. Thiago, Nathália, Maria Vitória,
João Lucas, Leandro, Carolina, Luiza e Henrique.


Muito obrigada!



Site.


Professor Ismael Coutinho

Em primeiro lugar, explicitarei sobre o meu patrono, Ismael de Lima Coutinho.


Nasceu em 12 de maio de 1900, em
Santo Antonio de Pádua, município fluminense. Eram seus pais José
Coutinho de Carvalho e Amélia Mascarenhas de Lima Coutinho. Seu pai era
um modesto comerciante de secos e molhados, mais tarde dono de padaria.


Ismael Coutinho, ainda muito jovem, passou a dedicar-se ao estudo de vários idiomas, notadamente o latim e o grego.


Salientamos que foi grande humanista, filólogo e educador.


Wanderlino Teixeira Leite Netto relata em seu livro A Dança das Cadeiras.


Conhecedor dos modelos literários
como poucos e da língua portuguesa como raros; dedicou sua vida à
defesa do idioma pátrio. Foi alfabetizado por Lourença Guimarães,
grande educadora do norte fluminense.


Jovem, iniciou o seu magistério no
Colégio Sylvio Leite, no Rio de Janeiro, em seguida no Colégio de Pádua
e no Liceu de Humanidades em Campos dos Goytacazes.


Mais tarde, no Liceu Nilo Peçanha, em
Niterói, ocupou a Cátedra de Português/Literatura. Durante muitos anos
lecionou Português, Latim e Grego nos Colégios Brasil e Bitencourt
Silva.


Era bacharel em Direito.


Vale a pena rememorar também, que com
um grupo de educadores, fundou em Niterói, o Instituto de Humanidades,
mais tarde denominado Colégio José Clemente e posteriormente Instituto
Gay Lussac. Participou de inúmeras bancas examinadoras de concursos
para provimentos de cátedras.


Em 1947, juntamente com Durval
Batista Pereira, que veio a ser reitor da Universidade Federal
Fluminense, fundou a Faculdade Fluminense de Filosofia.


Foi seu primeiro diretor, ali
lecionando por 18 anos consecutivos Língua e Literatura Latina. Exerceu
funções político-administrativas e técnicas, tais como: secretário de
Educação e Cultura do Estado do Rio de Janeiro, membro da Comissão do
Livro Didático do Ministério da Educação e Presidente do Conselho
Estadual de Educação.


Administrador probo e diligente, muito trabalhou para o desenvolvimento da cultura.


Firmou-se como um dos maiores filólogos brasileiros.


Renato de Lacerda, o poeta que Rio Bonito deu ao Brasil, num soneto, assim descreve Ismael Coutinho:


Simpático, corpulento, corado de pele fina e boca bem pequena é professor há muito consagrado pela cultura de eloqüência plena.


O idioma pátrio ensina com agrado
esta do Lácio, língua tão amena belezas apontando entusiasmado enquanto
os erros com vigor condena.


Aulas, livros, discursos, conferências tem dado em pedagógicas seqüências no portentoso mundo juvenil.


Assim, com patriotismo trabalhando o nível de instrução vai elevando para a suprema glória do Brasil.


Ismael Coutinho pertenceu a Academia
Fluminense de Letras, Academia Fluminense de Filologia e a Sociedade
Brasileira de Romanistas.


Deixou publicado Pontos da Gramática Histórica, que a partir da 4ª edição passa a ser chamada Gramática Histórica. Constitui
essa gramática, o estudo da língua portuguesa, seu uso e a importância
da correspondência entre o idioma falado no Brasil e no seu país de
doação, isto é, Portugal.


Em 1928 lançou dois livros: O Problema da Crase, e o outro, foi sua tese para a cátedra de Português, do Liceu de Humanidades de Campos.


Em 1954 escreve Os Estudos Gramaticais, que eram sugestões metodológicas para a execução do ensino de Português.


Respostas a um Critico e A Propósito de Minha Gramática Histórica chegam as livrarias em 1955. Prefaciou a Bíblia Medieval Portuguesa cujo autor era Serafim da Silva Neto, como também fez o Prefácio dos livros O Modernismo Brasileiro e A Língua Portuguesa , de Luiz Carlos Lessa .


A Vida amorosa de Horácio e a Desistência do Acusativo Indo Europeu foram lançados em 1964, sendo que o primeiro foi um estudo proferido na Sociedade Brasileira de Romanistas.


Publicou inúmeros artigos em revistas especializadas.


Deixou inédita aquela que seria sua
tese de concurso, na qual vinha trabalhando nos dois últimos anos de
sua vida, para professor titular de Língua e Literatura Latina, na
antiga Faculdade Fluminense de Filosofia.


O dia 24 de julho de 1965 trouxe
grandes tristezas: falece Ismael Coutinho num acidente automobilístico
em São João da Boa Vista, no Estado de São Paulo.


Após sua morte, a Escola Normal de Niterói passou a denominar-se Instituto de Educação Professor Ismael Coutinho.


O patrono da cadeira nº 43 desta
Academia Niteroiense de Letras, foi, segundo o professor Rosalvo do
Vale, um cidadão simples, sábio e bom.


Paulo de Almeida Campos


Foi o primeiro ocupante da cadeira nº 43, tendo marcado com sua inteligência cultura e civismo, a época em que viveu.


Nasceu no dia 4 de janeiro de 1915,
em São Sebastião do Alto, Estado do Rio de Janeiro. Dona Eponina de
Almeida Campos e Célio Campos foram seus pais. Foi casado com D. Maria
Letice Souto Campos, com quem se encantou em um baile na cidade de
Miracema e que lhe deu três filhos: Virgínia, Berenice e Paulo Gustavo.
Viveram todos os encantos de um amor sincero, onde a dignidade, o
carinho e o respeito, abençoaram a vida familiar. Letice, professora de
educação física, foi sua amorável e incansável companheira pelos
caminhos da vida.


Quando de sua posse na Academia
Niteroiense de Letras, veio a relembrar de seu pai e de sua mãe,
oferecendo-lhes, a alegria, o orgulho e o encantamento do momento.
Reviveu os momentos saudosos de sua infância, menino pobre e simples
acompanhando o pai, de fazenda em fazenda, vendendo o produto da
plantação de fumo. Seu pai estava arruinado pela queda do café.


Somente aos nove anos iniciou o
antigo curso primário no Colégio Carlos Cortes em Cordeiro, Estado do
Rio de Janeiro, indo mais tarde para o Colégio Modelo, situado em Nova
Friburgo. Na cidade de Ribeirão Preto, São Paulo, concluiu o Curso
Normal. Em 1939 colou grau de bacharel pela faculdade de Direito de
Niterói. Em 1950, obteve a licenciatura em Pedagogia.


Convém salientar que exerceu o
magistério, mostrando o caminho as suas irmãs Lígia, Zélia, Enóe,
Conceição, Anthea e Teresinha. Embora bacharel em Direito, foi no
magistério que se encontrou e se sentiu plenamente realizado.


A presença dos bons, como Paulo de
Almeida Campos, pessoa dotada de verdadeira grandeza humana, faz-nos um
bem inestimável, na medida em que restabelece em nós a esperança nas
grandes possibilidades de nossa vida finita.


O primeiro ocupante da Cadeira nº 43,
foi professor da Escola de Serviço Social e da Faculdade Fluminense de
Filosofia em Niterói. Foi professor titular e diretor da Faculdade de
Educação da Universidade Federal Fluminense, como também Doutor e
Livre-Docente. Assessor do professor Anísio Teixeira, com quem
trabalhou por nove anos, participando da implantação do sistema
educacional de Brasília. Publicou diversos trabalhos e colaborou nos
jornais Gazeta de Cordeiro, o Nova Friburgo e o Diário de Notícias.
Pertenceu a várias academias e são incontestáveis as suas premiações.


Meus colegas de sodalício


Oportuno é ressaltar o que Emanuel de
Macedo Soares historiador e membro das academias Niteroiense e
Fluminense de Letras, assim escreveu sobre Paulo de Almeida Campos:


O professor altense viveu a vida no
cenário da sala de aula. Correu mundo em busca do aperfeiçoamento.
Deixou em inúmeros cargos públicos por que passou a marca indelével de
seu fazer.


Fazendo aquilo em que acreditava e acreditando naquilo que fazia.


Assim como o professor Helter Barcellos, orador de amplos dotes, no prefácio do livro Tema e Teimas da Educação, fez tecer as seguintes considerações:


Como homem de letras, Paulo de
Almeida Campos tem contado em páginas de inexcedível beleza sua terra e
sua gente. Seus discursos acadêmicos, suas orações de paraninfo e seus
ensaios exibem estilo definido e firme de quem sabe manejar com
destreza os delicados instrumentos da comunicação escrita.


Paulo de Almeida Campos permaneceu entre os vivos até o dia 7 de março de 1991.


Empresta o seu nome a uma rua em Niterói e também a uma escola, no bairro de Icaraí.


Nas palavras de Alaor Scísino foi “cidadão do mundo que residiu por longos anos, na sala de aula.”


Maria José Arueira de Meirelles


Foi a 2ª ocupante da Cadeira nº 43, sendo minha antecessora.


Nasceu em Campos dos Goytacazes , em
25 de novembro de 1920 numa noite de estrelas indormidas mas bafejada
pelo perfume das rosas e ninada em doces acalentos.


Fez seus estudos primários em sua
terra natal e o secundário em Cachoeiro de Itapemirim , Espírito Santo.
Era enfermeira diplomada pela Escola de Enfermagem Anna Nery, com
especialização em Relações Humanas pela Pontifícia Universidade
Católica.


Queremos personificar nossa homenagem
na figura impar de Maria José Arueira, a nossa querida Zezé, como nós a
chamávamos aqui, nesta Casa da Amizade, onde ela também porfiou por
muitos anos, como sócia voluntária, servindo ao próximo. Ela soube dar
de si, sem pensar em si, atuando com assiduidade no braço humanístico
de Rotary Internacional. Por conseguinte sobreleva destacar que tive a
ventura de com ela conviver, sabendo do seu profundo senso poético, da
extensão de sua pureza e a dimensão de sua integridade.


Além de Acadêmica foi também humanista.


O acadêmico Luiz Antonio Pimentel assim se expressou sobre a poesia de Maria José Arueira:


Seus versos são livres como as ondas dos canaviais de sua terra natal, quando bate o nordeste sobre a Planície Goitacá.


(...) É pura inspiração. Sublimação de sentimentos. Decantação das idéias. Magia de ritmos. Malabarismo de palavras.


A corroborar tal entendimento,
sabemos que os primitivos habitantes dessa planície, os valorosos
índios da nação Goitacá, eram altivos e briosos defensores da
liberdade. A história das lutas daquele povo e admirável: nenhum fugiu
ao combate, semearam o exemplo de heroísmo e a boa semente nunca deixa
de germinar.


Seus trabalhos literários foram
publicados no jornal O Fluminense, na Tribuna, em jornais de Macaé ,
Petrópolis e São Gonçalo. Em 1988 publicou o livro de poemas Castelo Interior e em 1997, Cara a Minha Alma.


Era detentora das medalhas Tiradentes e Jubileu de Ouro da Academia Niteroiense de Letras.


Em 1999 foi agraciada com o título de Cidadã Honorária de Niterói.


Maira José Arueira Meirelles, a tão querida Zezé, nos deixou em 05/08/2005.


Senhores Acadêmicos


É com o espírito de ordem, do
trabalho, da harmonia, da conversa aveludada, que atravesso as
respeitáveis soleira da Academia Niteroiense de Letras, não em busca,
da precária imortalidade, mas para usufruir da companhia dos senhores,
sob a égide da inspiração acadêmica.


Nesta longa sucessão de feitos que
formaram a tradição e o prestígio da Cadeira que agora venho assumir,
uma importante lição é extraída dos numerosos exemplos que acabei de
lembrar.


Esta é uma cadeira do ensino, da
educação, da literatura, exigindo da nova acadêmica, uma sintonia
espiritual com sues antecessores, com aqueles que nos dados jogados
pelo destino vieram a ocupar a mesma poltrona.


Acredito que no postular meu ingresso
nesta Casa de Cultura e ao merecer a consagradora aprovação ficou
marcada essa significativa honraria que sobreveio do julgamento isento
dos nossos ilustres confrades, o que é para esta protagonista das
Ciências Jurídicas, momento deveras gratificante.


Aproveitamos este momento solene para patentear o pacto de amor perene com os amigos aqui presente e com meus familiares.


Quero tê-los comigo por muitos anos na alegria da vida, na festa do amor.


Agradeço aos amigos acadêmicos Waldemir de Bragança e José Guasti a gentileza de introduzir-me neste consagrado salão nobre.


Deus que me trouxe até aqui, sabendo
que continuo fiel a minha simplicidade e as minhas origens, há de
continuar a iluminar-me os passos.


Termino a milha fala, deixando
registrado em meu discurso, o nome dos meus netos que são produtos de
um longo entrelaceamento de amores. Thiago, Nathália, Maria Vitória,
João Lucas, Leandro, Carolina, Luiza e Henrique.


Muito obrigada!



Site


Professor Ismael Coutinho

Em primeiro lugar, explicitarei sobre o meu patrono, Ismael de Lima Coutinho.


Nasceu em 12 de maio de 1900, em
Santo Antonio de Pádua, município fluminense. Eram seus pais José
Coutinho de Carvalho e Amélia Mascarenhas de Lima Coutinho. Seu pai era
um modesto comerciante de secos e molhados, mais tarde dono de padaria.


Ismael Coutinho, ainda muito jovem, passou a dedicar-se ao estudo de vários idiomas, notadamente o latim e o grego.


Salientamos que foi grande humanista, filólogo e educador.


Wanderlino Teixeira Leite Netto relata em seu livro A Dança das Cadeiras.


Conhecedor dos modelos literários
como poucos e da língua portuguesa como raros; dedicou sua vida à
defesa do idioma pátrio. Foi alfabetizado por Lourença Guimarães,
grande educadora do norte fluminense.


Jovem, iniciou o seu magistério no
Colégio Sylvio Leite, no Rio de Janeiro, em seguida no Colégio de Pádua
e no Liceu de Humanidades em Campos dos Goytacazes.


Mais tarde, no Liceu Nilo Peçanha, em
Niterói, ocupou a Cátedra de Português/Literatura. Durante muitos anos
lecionou Português, Latim e Grego nos Colégios Brasil e Bitencourt
Silva.


Era bacharel em Direito.


Vale a pena rememorar também, que com
um grupo de educadores, fundou em Niterói, o Instituto de Humanidades,
mais tarde denominado Colégio José Clemente e posteriormente Instituto
Gay Lussac. Participou de inúmeras bancas examinadoras de concursos
para provimentos de cátedras.


Em 1947, juntamente com Durval
Batista Pereira, que veio a ser reitor da Universidade Federal
Fluminense, fundou a Faculdade Fluminense de Filosofia.


Foi seu primeiro diretor, ali
lecionando por 18 anos consecutivos Língua e Literatura Latina. Exerceu
funções político-administrativas e técnicas, tais como: secretário de
Educação e Cultura do Estado do Rio de Janeiro, membro da Comissão do
Livro Didático do Ministério da Educação e Presidente do Conselho
Estadual de Educação.


Administrador probo e diligente, muito trabalhou para o desenvolvimento da cultura.


Firmou-se como um dos maiores filólogos brasileiros.


Renato de Lacerda, o poeta que Rio Bonito deu ao Brasil, num soneto, assim descreve Ismael Coutinho:


Simpático, corpulento, corado de pele fina e boca bem pequena é professor há muito consagrado pela cultura de eloqüência plena.


O idioma pátrio ensina com agrado
esta do Lácio, língua tão amena belezas apontando entusiasmado enquanto
os erros com vigor condena.


Aulas, livros, discursos, conferências tem dado em pedagógicas seqüências no portentoso mundo juvenil.


Assim, com patriotismo trabalhando o nível de instrução vai elevando para a suprema glória do Brasil.


Ismael Coutinho pertenceu a Academia
Fluminense de Letras, Academia Fluminense de Filologia e a Sociedade
Brasileira de Romanistas.


Deixou publicado Pontos da Gramática Histórica, que a partir da 4ª edição passa a ser chamada Gramática Histórica. Constitui
essa gramática, o estudo da língua portuguesa, seu uso e a importância
da correspondência entre o idioma falado no Brasil e no seu país de
doação, isto é, Portugal.


Em 1928 lançou dois livros: O Problema da Crase, e o outro, foi sua tese para a cátedra de Português, do Liceu de Humanidades de Campos.


Em 1954 escreve Os Estudos Gramaticais, que eram sugestões metodológicas para a execução do ensino de Português.


Respostas a um Critico e A Propósito de Minha Gramática Histórica chegam as livrarias em 1955. Prefaciou a Bíblia Medieval Portuguesa cujo autor era Serafim da Silva Neto, como também fez o Prefácio dos livros O Modernismo Brasileiro e A Língua Portuguesa , de Luiz Carlos Lessa .


A Vida amorosa de Horácio e a Desistência do Acusativo Indo Europeu foram lançados em 1964, sendo que o primeiro foi um estudo proferido na Sociedade Brasileira de Romanistas.


Publicou inúmeros artigos em revistas especializadas.


Deixou inédita aquela que seria sua
tese de concurso, na qual vinha trabalhando nos dois últimos anos de
sua vida, para professor titular de Língua e Literatura Latina, na
antiga Faculdade Fluminense de Filosofia.


O dia 24 de julho de 1965 trouxe
grandes tristezas: falece Ismael Coutinho num acidente automobilístico
em São João da Boa Vista, no Estado de São Paulo.


Após sua morte, a Escola Normal de Niterói passou a denominar-se Instituto de Educação Professor Ismael Coutinho.


O patrono da cadeira nº 43 desta
Academia Niteroiense de Letras, foi, segundo o professor Rosalvo do
Vale, um cidadão simples, sábio e bom.


Paulo de Almeida Campos


Foi o primeiro ocupante da cadeira nº 43, tendo marcado com sua inteligência cultura e civismo, a época em que viveu.


Nasceu no dia 4 de janeiro de 1915,
em São Sebastião do Alto, Estado do Rio de Janeiro. Dona Eponina de
Almeida Campos e Célio Campos foram seus pais. Foi casado com D. Maria
Letice Souto Campos, com quem se encantou em um baile na cidade de
Miracema e que lhe deu três filhos: Virgínia, Berenice e Paulo Gustavo.
Viveram todos os encantos de um amor sincero, onde a dignidade, o
carinho e o respeito, abençoaram a vida familiar. Letice, professora de
educação física, foi sua amorável e incansável companheira pelos
caminhos da vida.


Quando de sua posse na Academia
Niteroiense de Letras, veio a relembrar de seu pai e de sua mãe,
oferecendo-lhes, a alegria, o orgulho e o encantamento do momento.
Reviveu os momentos saudosos de sua infância, menino pobre e simples
acompanhando o pai, de fazenda em fazenda, vendendo o produto da
plantação de fumo. Seu pai estava arruinado pela queda do café.


Somente aos nove anos iniciou o
antigo curso primário no Colégio Carlos Cortes em Cordeiro, Estado do
Rio de Janeiro, indo mais tarde para o Colégio Modelo, situado em Nova
Friburgo. Na cidade de Ribeirão Preto, São Paulo, concluiu o Curso
Normal. Em 1939 colou grau de bacharel pela faculdade de Direito de
Niterói. Em 1950, obteve a licenciatura em Pedagogia.


Convém salientar que exerceu o
magistério, mostrando o caminho as suas irmãs Lígia, Zélia, Enóe,
Conceição, Anthea e Teresinha. Embora bacharel em Direito, foi no
magistério que se encontrou e se sentiu plenamente realizado.


A presença dos bons, como Paulo de
Almeida Campos, pessoa dotada de verdadeira grandeza humana, faz-nos um
bem inestimável, na medida em que restabelece em nós a esperança nas
grandes possibilidades de nossa vida finita.


O primeiro ocupante da Cadeira nº 43,
foi professor da Escola de Serviço Social e da Faculdade Fluminense de
Filosofia em Niterói. Foi professor titular e diretor da Faculdade de
Educação da Universidade Federal Fluminense, como também Doutor e
Livre-Docente. Assessor do professor Anísio Teixeira, com quem
trabalhou por nove anos, participando da implantação do sistema
educacional de Brasília. Publicou diversos trabalhos e colaborou nos
jornais Gazeta de Cordeiro, o Nova Friburgo e o Diário de Notícias.
Pertenceu a várias academias e são incontestáveis as suas premiações.


Meus colegas de sodalício


Oportuno é ressaltar o que Emanuel de
Macedo Soares historiador e membro das academias Niteroiense e
Fluminense de Letras, assim escreveu sobre Paulo de Almeida Campos:


O professor altense viveu a vida no
cenário da sala de aula. Correu mundo em busca do aperfeiçoamento.
Deixou em inúmeros cargos públicos por que passou a marca indelével de
seu fazer.


Fazendo aquilo em que acreditava e acreditando naquilo que fazia.


Assim como o professor Helter Barcellos, orador de amplos dotes, no prefácio do livro Tema e Teimas da Educação, fez tecer as seguintes considerações:


Como homem de letras, Paulo de
Almeida Campos tem contado em páginas de inexcedível beleza sua terra e
sua gente. Seus discursos acadêmicos, suas orações de paraninfo e seus
ensaios exibem estilo definido e firme de quem sabe manejar com
destreza os delicados instrumentos da comunicação escrita.


Paulo de Almeida Campos permaneceu entre os vivos até o dia 7 de março de 1991.


Empresta o seu nome a uma rua em Niterói e também a uma escola, no bairro de Icaraí.


Nas palavras de Alaor Scísino foi “cidadão do mundo que residiu por longos anos, na sala de aula.”


Maria José Arueira de Meirelles


Foi a 2ª ocupante da Cadeira nº 43, sendo minha antecessora.


Nasceu em Campos dos Goytacazes , em
25 de novembro de 1920 numa noite de estrelas indormidas mas bafejada
pelo perfume das rosas e ninada em doces acalentos.


Fez seus estudos primários em sua
terra natal e o secundário em Cachoeiro de Itapemirim , Espírito Santo.
Era enfermeira diplomada pela Escola de Enfermagem Anna Nery, com
especialização em Relações Humanas pela Pontifícia Universidade
Católica.


Queremos personificar nossa homenagem
na figura impar de Maria José Arueira, a nossa querida Zezé, como nós a
chamávamos aqui, nesta Casa da Amizade, onde ela também porfiou por
muitos anos, como sócia voluntária, servindo ao próximo. Ela soube dar
de si, sem pensar em si, atuando com assiduidade no braço humanístico
de Rotary Internacional. Por conseguinte sobreleva destacar que tive a
ventura de com ela conviver, sabendo do seu profundo senso poético, da
extensão de sua pureza e a dimensão de sua integridade.


Além de Acadêmica foi também humanista.


O acadêmico Luiz Antonio Pimentel assim se expressou sobre a poesia de Maria José Arueira:


Seus versos são livres como as ondas dos canaviais de sua terra natal, quando bate o nordeste sobre a Planície Goitacá.


(...) É pura inspiração. Sublimação de sentimentos. Decantação das idéias. Magia de ritmos. Malabarismo de palavras.


A corroborar tal entendimento,
sabemos que os primitivos habitantes dessa planície, os valorosos
índios da nação Goitacá, eram altivos e briosos defensores da
liberdade. A história das lutas daquele povo e admirável: nenhum fugiu
ao combate, semearam o exemplo de heroísmo e a boa semente nunca deixa
de germinar.


Seus trabalhos literários foram
publicados no jornal O Fluminense, na Tribuna, em jornais de Macaé ,
Petrópolis e São Gonçalo. Em 1988 publicou o livro de poemas Castelo Interior e em 1997, Cara a Minha Alma.


Era detentora das medalhas Tiradentes e Jubileu de Ouro da Academia Niteroiense de Letras.


Em 1999 foi agraciada com o título de Cidadã Honorária de Niterói.


Maira José Arueira Meirelles, a tão querida Zezé, nos deixou em 05/08/2005.


Senhores Acadêmicos


É com o espírito de ordem, do
trabalho, da harmonia, da conversa aveludada, que atravesso as
respeitáveis soleira da Academia Niteroiense de Letras, não em busca,
da precária imortalidade, mas para usufruir da companhia dos senhores,
sob a égide da inspiração acadêmica.


Nesta longa sucessão de feitos que
formaram a tradição e o prestígio da Cadeira que agora venho assumir,
uma importante lição é extraída dos numerosos exemplos que acabei de
lembrar.


Esta é uma cadeira do ensino, da
educação, da literatura, exigindo da nova acadêmica, uma sintonia
espiritual com sues antecessores, com aqueles que nos dados jogados
pelo destino vieram a ocupar a mesma poltrona.


Acredito que no postular meu ingresso
nesta Casa de Cultura e ao merecer a consagradora aprovação ficou
marcada essa significativa honraria que sobreveio do julgamento isento
dos nossos ilustres confrades, o que é para esta protagonista das
Ciências Jurídicas, momento deveras gratificante.


Aproveitamos este momento solene para patentear o pacto de amor perene com os amigos aqui presente e com meus familiares.


Quero tê-los comigo por muitos anos na alegria da vida, na festa do amor.


Agradeço aos amigos acadêmicos Waldemir de Bragança e José Guasti a gentileza de introduzir-me neste consagrado salão nobre.


Deus que me trouxe até aqui, sabendo
que continuo fiel a minha simplicidade e as minhas origens, há de
continuar a iluminar-me os passos.


Termino a milha fala, deixando
registrado em meu discurso, o nome dos meus netos que são produtos de
um longo entrelaceamento de amores. Thiago, Nathália, Maria Vitória,
João Lucas, Leandro, Carolina, Luiza e Henrique.


Muito obrigada!



Site


Instituto de Educação Professor Ismae...

Instituto de Educação Professor Ismael Coutinho



Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.




O Instituto de Educação Professor Ismael Coutinho (IEPIC) é uma instituição de ensino público secundário estadual que tem como precursora a Escola Normal de Niterói, primeira instituição pública do gênero nas Américas.








Índice


[esconder]




[editar] Criação


A história da Escola Normal de Niterói inicia-se com as reformas à Constituição do Império de 1824 que resultaram no Ato Adicional de 6 de agosto de 1834, cujas medidas confeririam maior autonomia às províncias
e neutralizariam maiores pretensões do movimento liberal, de cunho
claramente anti-monarquista, em ascendência por causa da abdicação ao
trono do imperador Dom Pedro I. Outra conseqüência desta lei foi a transformação do Rio de Janeiro em Município Neutro da Corte, desmembrando-se este da Província do Rio de Janeiro. O povoado da Villa Real da Praia Grande (hoje Niterói)
seria escolhido capital da província e grande aporte de melhoramentos
em infra-estrutura seriam necessários para comportar as demandas de seu
novo papel.


O deputado Paulino José Soares de Sousa, Visconde de Uruguai,
apresenta à primeira Assembléia Provincial um projeto de instituir uma
escola normal onde se formariam os professores da província. O poder
coercitivo deste saquarema - como eram conhecidos os membros do Partido Conservador - não encontraria grandes resistências do já combalido grupo liberal. Assim, em 4 de abril de 1835, o novo presidente da província Joaquim José Rodrigues Torres, Visconde de Itaboraí, sancionou o Ato nº 10 da Assembléia Legislativa, de 1 de abril de 1835, que criou uma instituição de ensino que seria responsável de formar educadores para o magistério da instrução primária.


[editar] Primeiras turmas


Em seu início de atividades, contou com a realização de 21
matrículas, sendo a de número um a do mineiro José de Souza Lima, que
também seria o primeiro professor formado no Brasil. Mais tarde, já radicado em Angra dos Reis, lecionando no Colégio Abílio, José teria como alunos personalidades como Raul Pompéia, Lopes Trovão e o Padre Júlio Maria.


[editar] Enxertos e retalhos com o Liceu Provincial


Em 1847, a Escola Normal, juntamente com outros estabelecimentos, por força de uma nova reforma no ensino, fundem-se para constituir o Liceu Provincial de Niterói. Em 1851 este é extinto, e a Escola Normal seria reinaugurada pelo Imperador Dom Pedro II em 29 de junho de 1862. Não seria desta vez que o estabelecimento continuaria uma trajetória própria. Em 15 de abril de 1890 esta novamente é extinta para formar o Liceu de Humanidades de Niterói, subsistindo apenas como uma divisão pedagógica. Em 1900, novo ressurgimento - Liceu é extinto. Em 1931, junta-se ao seu recém criado Curso Ginasial e forma a Escola Normal de Niterói e Liceu Nilo Peçanha. Em 1938 o interventor do estado Amaral Peixoto renomeia o estabelecimento para Instituto de Educação do Estado do Rio de Janeiro. Em 1954, o Curso Normal desliga-se do Liceu e passa-se chamar Instituto de Educação de Niterói. Em 1965
é realizada uma eleição interna para escolher qual nome o colégio
adotaria e homenagearia. Os nomes escolhidos foram a dos professores
Armando Gonçalves e Ismael de Lima Coutinho, sendo o último o vencedor. Ismael Coutinho foi professor do estabelecimento, onde lecionou as cadeiras de grego, latim e gramática histórica. Também exerceu cargos políticos e foi um filólogo de renome internacional.


[editar] Endereços onde funcionou


Não há registros onde se deu seu primeiro funcionamento. Há quem
afirme que foi numa casa alugada. A Escola Normal já ocupou vários
endereços da cidade:



De 1954 até os dias atuais funciona junto com o Grupo Escolar Getúlio Vargas, situado na Travessa Manuel Continentino, no bairro de São Domingos.


[editar] Fontes


  • ALVES, Claudia Maria Costa; VILLELA, Heloísa. Niterói Educação -
    histórias a serem escritas. In: MARTINS, Ismênia de Lima; KNAUSS, Paulo
    (Organizadores). Cidade Múltipla - Temas de História de Niterói. Niterói: Niterói Livros, 1997.
  • BACKHEUSER, Everardo A. Minha Terra e Minha Vida: (Niterói há um século). 2. ed. Niterói: Niterói Livros, 1994.
  • PORTAL DA EDUCAÇÃO PÚBLICA: Primeiro no Brasil e na América Latina.
  • SOARES, Emmanuel de Macedo. As ruas contam seus nomes. v.1. Niterói: Niterói Livros, 1993.

Site.


Instituto de Educação Professor Ismae...

Instituto de Educação Professor Ismael Coutinho



Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.




O Instituto de Educação Professor Ismael Coutinho (IEPIC) é uma instituição de ensino público secundário estadual que tem como precursora a Escola Normal de Niterói, primeira instituição pública do gênero nas Américas.








Índice


[esconder]




[editar] Criação


A história da Escola Normal de Niterói inicia-se com as reformas à Constituição do Império de 1824 que resultaram no Ato Adicional de 6 de agosto de 1834, cujas medidas confeririam maior autonomia às províncias
e neutralizariam maiores pretensões do movimento liberal, de cunho
claramente anti-monarquista, em ascendência por causa da abdicação ao
trono do imperador Dom Pedro I. Outra conseqüência desta lei foi a transformação do Rio de Janeiro em Município Neutro da Corte, desmembrando-se este da Província do Rio de Janeiro. O povoado da Villa Real da Praia Grande (hoje Niterói)
seria escolhido capital da província e grande aporte de melhoramentos
em infra-estrutura seriam necessários para comportar as demandas de seu
novo papel.


O deputado Paulino José Soares de Sousa, Visconde de Uruguai,
apresenta à primeira Assembléia Provincial um projeto de instituir uma
escola normal onde se formariam os professores da província. O poder
coercitivo deste saquarema - como eram conhecidos os membros do Partido Conservador - não encontraria grandes resistências do já combalido grupo liberal. Assim, em 4 de abril de 1835, o novo presidente da província Joaquim José Rodrigues Torres, Visconde de Itaboraí, sancionou o Ato nº 10 da Assembléia Legislativa, de 1 de abril de 1835, que criou uma instituição de ensino que seria responsável de formar educadores para o magistério da instrução primária.


[editar] Primeiras turmas


Em seu início de atividades, contou com a realização de 21
matrículas, sendo a de número um a do mineiro José de Souza Lima, que
também seria o primeiro professor formado no Brasil. Mais tarde, já radicado em Angra dos Reis, lecionando no Colégio Abílio, José teria como alunos personalidades como Raul Pompéia, Lopes Trovão e o Padre Júlio Maria.


[editar] Enxertos e retalhos com o Liceu Provincial


Em 1847, a Escola Normal, juntamente com outros estabelecimentos, por força de uma nova reforma no ensino, fundem-se para constituir o Liceu Provincial de Niterói. Em 1851 este é extinto, e a Escola Normal seria reinaugurada pelo Imperador Dom Pedro II em 29 de junho de 1862. Não seria desta vez que o estabelecimento continuaria uma trajetória própria. Em 15 de abril de 1890 esta novamente é extinta para formar o Liceu de Humanidades de Niterói, subsistindo apenas como uma divisão pedagógica. Em 1900, novo ressurgimento - Liceu é extinto. Em 1931, junta-se ao seu recém criado Curso Ginasial e forma a Escola Normal de Niterói e Liceu Nilo Peçanha. Em 1938 o interventor do estado Amaral Peixoto renomeia o estabelecimento para Instituto de Educação do Estado do Rio de Janeiro. Em 1954, o Curso Normal desliga-se do Liceu e passa-se chamar Instituto de Educação de Niterói. Em 1965
é realizada uma eleição interna para escolher qual nome o colégio
adotaria e homenagearia. Os nomes escolhidos foram a dos professores
Armando Gonçalves e Ismael de Lima Coutinho, sendo o último o vencedor. Ismael Coutinho foi professor do estabelecimento, onde lecionou as cadeiras de grego, latim e gramática histórica. Também exerceu cargos políticos e foi um filólogo de renome internacional.


[editar] Endereços onde funcionou


Não há registros onde se deu seu primeiro funcionamento. Há quem
afirme que foi numa casa alugada. A Escola Normal já ocupou vários
endereços da cidade:



De 1954 até os dias atuais funciona junto com o Grupo Escolar Getúlio Vargas, situado na Travessa Manuel Continentino, no bairro de São Domingos.


[editar] Fontes


  • ALVES, Claudia Maria Costa; VILLELA, Heloísa. Niterói Educação -
    histórias a serem escritas. In: MARTINS, Ismênia de Lima; KNAUSS, Paulo
    (Organizadores). Cidade Múltipla - Temas de História de Niterói. Niterói: Niterói Livros, 1997.
  • BACKHEUSER, Everardo A. Minha Terra e Minha Vida: (Niterói há um século). 2. ed. Niterói: Niterói Livros, 1994.
  • PORTAL DA EDUCAÇÃO PÚBLICA: Primeiro no Brasil e na América Latina.
  • SOARES, Emmanuel de Macedo. As ruas contam seus nomes. v.1. Niterói: Niterói Livros, 1993.

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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

http://televisionado.wordpress.com/20...









 







 








Como nasceu o indiozinho da Tupi?





O começo das atividades da PRF-3-TV Tupi-Difusora representava, na
verdade, dois grandes desafios: o primeiro era fazer com que as pessoas
se habituassem à programação e os artistas da nova emissora, e o
segundo era fazer com que as pessoas se habituassem à TV em si. Uma
dupla missão que tornou ainda mais árdua a tarefa dos nossos pioneiros.


Como forma de acelerar esse processo de adaptação por parte do
público, muito foi feito para explicar exatamente do que se tratava
aquela nova caixa iluminada que passaria a ser peça obrigatória das
salas de todos os brasileiros. Para isso, muitos apelidos foram
empregados e um deles, que para muitos era o mais adequado, foi usado à
exaustão: “rádio com imagens”.


Transferir a popularidade do maior entretenimento da época para
aquele que estava nascendo não era uma estratégia inédita, já que muito
do cinema mudo, por exemplo, veio do teatro. Essa receita foi novamente
usada, sendo, dessa vez, o rádio a principal fonte de talentos,
programas e até esquemas comerciais. Tudo (ou praticamente tudo) do que
se viu nos primeiros tempos da TV já era parte da vida das pessoas
através das rádios Associadas paulistanas Tupi e Difusora (que, como se
pode ver, emprestaram até seus nomes à nova estação).


A identificação gráfica da nova televisão também veio do rádio.
Muitos podem se perguntar como isso era possível, visto que o rádio não
tem imagens. É que o rádio, além de ceder seu nome, cedeu seu símbolo,
que já era muito familiar para os ouvintes paulistas (especialmente
devido à maciça divulgação feita através dos jornais e revistas
Associadas): era o índio guerreiro da PRG-2 que, com seu olhar fixo no
horizonte, sua lança na mão e seu físico trabalhado, impunha respeito.


Respeito e tradição: dois valores que justificam a adoção, pela nova
emissora televisiva, do bravo índio como símbolo. Ele transferia para o
vídeo, além da sua cara fechada, todo o respeito e tradição conquistada
pela Rádio Tupi paulistana.


Porém, o começo da televisão envolvia um trabalho muito complexo e
falhas, especialmente técnicas, freqüentemente aconteciam. E quando
elas aconteciam, recorria-se ao índio guerreiro, que permanecia, às
vezes horas a fio, firme, bravo e olhando para o horizonte.


O público não perdoa. Insatisfeito com as constantes interrupções,
ele passou a transferir para a imagem do índio a idéia de algo
enfadonho. Chegou-se até a cunhar a seguinte expressão: “Você é mais
chato que o índio da Tupi!”. Quando uma coisa dessas começa a acontecer
e sua marca, antes tão respeitada, passa a ser sinônimo de coisa ruim,
é chegada a hora de se fazer algo para mudar isso. E rápido.


Mario Fanucchi, então responsável pela feitura das cartelas que
abriam e encerravam os programas e transmissões (o primeiro diretor de
arte da nossa TV), propôs algo que viria a marcar para sempre a vida de
várias gerações de brasileiros: em substituição àquele grande índio
sério, entraria no ar o pequeno e simpático Tupiniquim. Os traços desse
menino-índio eram, segundo o próprio Fanucchi, inspirados na estética
Disney, que, na época, estava ainda se consolidando no cenário
internacional.


O risonho índio serviria para amansar o telespectador impaciente e,
ao mesmo tempo, aproximar o canal do público infantil. O indiozinho
também trouxe consigo outra revolução: ele, como a marca do canal,
passou a interagir também com os títulos e artistas das atrações
através de belíssimas ilustrações.




Isso deu uma nova dinâmica para a televisão brasileira e essa
experiência altamente bem-sucedida serviu de base para todas as outras
televisões Associadas que foram inauguradas depois e também para as
concorrentes, que enxergaram nos mascotes uma forma de contornar
problemas e fidelizar seu público.


Para saber mais sobre essa belíssima história, não deixe de ler o
livro “Nossa próxima atração: o interprograma no canal 3”, de Mario
Fanucchi, publicado pela Edusp.


~ por Fernando Morgado em 08/05/2008.












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